segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Deus soberanamente justo e bom

A existência do principio espiritual é um fato que, por assim dizer, não necessita de demonstração, tanto quanto o principio material; de alguma forma, é uma verdade axiomática¹: êle se afirma por seus efeitos, como a matéria, pelos que lhe são próprios. “Todo efeito tendo uma causa, todo efeito inteligente deve ter uma causa inteligente,” não há ninguém que não faça diferença entre o movimento mecânico de um sino agitado pelo vento, e o movimento dêsse mesmo sino, destinado a dar um sinal, uma advertência, atestando por isso mesmo um pensamento, uma intenção. Ora, como não pode vir a idéia de ninguém, atribuir pensamentos à matéria do sino, concluí-se que êle é movido por uma inteligência, à qual serve de instrumento para se manifestar. Pela mesma razão, ninguém tem a idéia de atribuir o pensamento ao corpo de um homem morto. Se o homem vivo pensa, é por que nêle há alguma coisa que já não há mais, quando está morto. A diferença que existe entre êle e o sino, é que a inteligência faz mover êste, está fora dêle, enquanto que aquela que faz o homem agir está nêle mesmo. O principio é o corolário² da existência de Deus; sem este principio, Deus não teria razão de ser, pois não seria mais possível conceber a soberana inteligência reinando durante a eternidade ùnicamente sobre a matéria bruta, tanto quanto não seria lícito tal supor em relação a um monarca terrestre que reinasse toda sua vida apenas sôbre pedras. Como não se pode admitir Deus sem os atributos essenciais da divindade: a justiça e a bondade, essas qualidades seriam inútens se apenas devessem ser exercida sôbre a matéria. Por outro lado, não se poderia conceber um Deus soberanamente justo e bom,criando sêres inteligêntes e sensíveis, para os voltar ao nada depois de alguns dias de sofrimento sem compensasões, entretanto sua vida com essa sucessão indefinida de sêres que nascem sem o ter solicitado, que pensam em um esntante para apenas conhecer a dor, e se extinguim para sempre, depois de uma existência efêmera³. Sem a sobrevivência do ser pensante, os sofrimentos da vida seriam, da parte de Deus, uma crueldade sem objetivos. Eis porque o materialismo e o ateísmo³ são corolários um do outro; negando a causa, não podem admitir o efeito; negando o efeito,não podem admitir a causa. O materalismo é, pois, coerente comigo mesmo, se bem que não esteja com a razão.

¹Axiomática: ² corolário: ³efêmera: ³ateísmo:
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