“ Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar sua vida, vai perdê-la, mas o que perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. De fato, que aproveitará ao homem se ganhar o mundo inteiro mas arruinar a sua vida?”
Quando alguém passa silenciosamente por um desfiladeiro, percebe o sussurrar de sons distintos que repercutem através dos ventos nas pedras e arvores – São manifestações dos “ecos da natureza” daquele lugar. A criatura que interioriza e aquieta a mente, silenciando sua intimidade, faz com que seu reino interior assemelhe-se a um “ sereno desfiladeiro” , de onde surgem as mensagens inarticuladas da alma – são manifestações dos “ecos transcendentais” do Universo.
Nesse “estado interior”, onde impera a quietude e a tranqüilidade, o individuo tem um encontro consigo mesmo, com sua mais pura essência – o Espírito. Na presença da inquietação e dos inúmeros anseios, a mente apegada bloqueia a fonte sapiencial e polui a via de acesso pela qual se ausculta a Fonte da Excelsa Sabedoria.
As pessoas do mundo estão distraídas entre os eventos do passado e os do presente, plenas de desejos pessoais que turvam e contagiam sua visão cósmica; isso as impede de expandir e expressar, de forma espontânea e natural, sua religiosidade nata.
Uma vez “perdido” o espírito, as pessoas, embora vivas, estão como mortas. “ de fato, que aproveitará ao homem se ganhar o mundo inteiro mas arruinar a sua vida?”
“ Pois aquele que quiser salvar a sua vida ( apegar-se ao ego) , vai perdê-la ( perde de vista o Si - mesmo), mas o que perder a sua vida (desapegar-se do ego) por causa de mi, vai encontrá-la ( integrar-se ao Si – mesmo)”.Devemos quebrar todos os grilhões e expulsar as mil vozes que enxameiam nossa casa mental. Assim, ficaremos limpos e desnudos, livres e despojados, libertos de tudo. Então, haverá naturalmente, nesse “desfiladeiro interno” , o reverberar de algo essencial, antes oculto mas agora presente, em que se percebem com clara nitidez seus recursos infinitos e sua capacidade de despertar potenciais inatos.
Recolhemos da antiga sabedoria oriental este trecho que bem ilustra a nossa idéia sobre desapego e serenidade interior: “ quando o vento chega e oscila o bambu, o bambu não guarda o som depois que o vento passou. Quando os gansos atravessam o lago, o lago não conserva seus reflexos depois que eles se foram. Da mesma maneira, a mente das pessoas iluminadas está presente quando ocorrem os acontecimentos e se esvazia quando os acontecimentos terminam”.
“ ( ... ) a doutrina da reencarnação (...) aumenta os deveres da fraternidade, visto que, entre os vinhos ou entre os servidores, pode se encontrar um Espírito que esteve ligado a vós pelos laços consangüíneos” .
Quando temos algo querido ou pensamos ter a posse de alguém que muito amamos, sofremos ao nos separamos dele. O ciúme é p resultado do apego ( medo de perder ). É preciso perceber a diferença entre o “amor real” e a “relação simbiótica” , ou mesmo o “apego familiar” A realização espiritual não está em nos apegarmos egoisticamente aos entes queridos, e sim nos interagirmos fraternalmente uns com os outros.
“ Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” . “ Negar a si mesmo” é ultrapassar a transitoriedade do mundo visível e penetrar na essência ocultas das criações e criaturas. É desapegar-se verdadeiramente e viver na integridade da vida; não querer perpetuar o “ego” .
“ Tomar a sua cruz” é reconhecer que este momento vai se desvanecer e não se perpetuará. É perceber os difíceis dilemas mentais pelo o quais passamos o que nos permitirá transitar íntegro na via de mão dupla por onde se move, de um lado, a busca imediatista do “ego” e, do outro, a inspiração da infinita sabedoria Divina.
O desapego nos leva a desenvolver um amplo senso de liberdade e de confiança em nós mesmos. Nosso calabouço reside em nossos mais íntimos atos e atitudes. Prendemo-nos nos grilhões de nossa própria criação mental, e fazemos o mesmo com aqueles que amamos.
A mente apegada a fatos, acontecimentos e pessoas é incapaz de perceber sua essência. Aquele que está agarrado ao “ego” está vazio do “sagrado” , aquele que se liberta do “ego” descobre que sempre esteve repleto do “ sagrado” A mente serena, tranqüila e desapegada é a “porta estreita”
O indivíduo despegado participa com a família e com toda a comunidade de um relacionamento saudável e espontâneo. Não vive atado aos vínculos doentios da “ ansiedade de separação” , pois crê plenamente que a lei das vidas sucessivas não destrói os laços da afetividade, antes os estende a um número cada vez maior de pessoas e também por toda a humanidade.
Cleiton R Pereira, Varginha M.G
Um comentário:
O desapego é complicado, pois a gente passa a maoir parte do tempo vivendo em função de alguem.
Eu vivia em função do meu marido, minhas filhas. e o tempo vai passando, passando, o que acontece agora, a lara já não precisa tanto de mim quanto antes e o mundo parece ja´não fazer diferença se a gente existe ou não.è assim que estava me sentindo. Hoje tento reerguer e ver que a Lara precisa muito de mim, ela tem tido momentos de extrema ansiedade, está me preocupando.
O ego ou superego, concentra toda a nossa vida em outra, realmente temos que ser nós mesmos, antes de tudo.
Abraços Liliane
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